Boletim da PM registra lesão corporal no contexto de violência doméstica e familiar, além de ameaça, dano, desacato e resistência à prisão
A passagem da campanha de Sergio Moro pelo Oeste do Paraná terminou marcada por uma ocorrência policial envolvendo um advogado ligado politicamente ao candidato.
Jorge Augusto Derviche Casagrande estava em Toledo acompanhando a programação eleitoral de Moro quando foi preso após uma ocorrência no Hotel do Lago. A proximidade política entre Casagrande e Moro é pública; o advogado integra a direção estadual do Democracia Cristã e já atuou diretamente na articulação política em torno do senador.
Mas o que torna o episódio especialmente grave está no conteúdo do Boletim de Ocorrência nº 1210979/2026.
Entre as naturezas registradas pela Polícia Militar está “lesão corporal – violência doméstica e familiar”. O documento também registra ameaça, dano e desacato, além de outras ocorrências.
Relato da esposa
Segundo o boletim, a esposa de Casagrande relatou aos policiais que a situação começou durante uma discussão em um restaurante. De acordo com seu depoimento, ela teria sido diminuída e ofendida pelo marido diante de outras pessoas e, posteriormente, alvo de xingamentos.
Já no hotel, segundo o relato registrado pela PM, Casagrande teria danificado o celular da esposa ao bater o aparelho contra uma mesa da recepção.
A situação teria se agravado quando ele deixou o quarto. Temendo uma agressão, a mulher teria tentado fechar e segurar a porta. Conforme o boletim, o advogado teria dado um chute contra a porta, provocando o arrombamento. Com o impacto, a mulher sofreu uma lesão no quarto dedo da mão esquerda.
O recepcionista do hotel, segundo a PM, confirmou aos policiais o arrombamento da porta.
O boletim também registra relatos de que, depois de deixar o quarto, o homem teria entrado em vias de fato com outros hóspedes, desferindo socos. Posteriormente, segundo o registro, houve resistência à prisão e necessidade de técnicas de controle e imobilização por parte dos policiais.
O peso político
É importante lembrar que o boletim registra relatos e informações colhidas no atendimento policial e não representa, por si só, uma condenação. Os fatos ainda deverão ser apurados, com direito à defesa e ao contraditório.
Mas há um componente político que não pode ser ignorado: Casagrande estava em Toledo acompanhando a agenda eleitoral de Sergio Moro.
Moro não responde pelos atos individuais de seus aliados. Porém, uma candidatura também é observada pelas pessoas que escolhe para seu entorno.
E o episódio ganha um peso ainda maior diante de uma das principais bandeiras apresentadas por Moro em sua campanha: o combate à violência e a defesa de políticas de segurança.
O contraste é inevitável: enquanto o candidato fala em segurança e combate à violência, um integrante de seu entorno político termina preso em uma ocorrência que a própria Polícia Militar classificou como lesão corporal no contexto de violência doméstica e familiar.
No mínimo, é uma contradição que a campanha terá de explicar.
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